Quem é a maioria

Você que nos lê, responda honestamente: Não seria melhor um país com emprego decente e salários dignos para toda a população em idade de trabalhar? Quem não gostaria de um país com boas escolas e hospitais para qualquer um que precise? É justo trabalhar a vida toda e morrer sem se aposentar? É justo pagar impostos e ainda ter que pagar o transporte público? É justo todo mundo pagar impostos e metade da população brasileira não ter acesso a saneamento básico? É justo que as mulheres negras sejam as que mais pagam impostos e sejam as que mais sofrem com a falta de serviços públicos e baixos salários? Quem vive em nosso país precisa mesmo morar em barracos ou mendigar? Um país menos desigual não seria um país menos violento?

Tem gente que acha que o país que sugerimos é um país das maravilhas. Mas este país é o mínimo.

A esmagadora maioria do povo carece de serviços públicos essenciais, que seriam também do interesse da chamada “classe média”, que costuma pagar duas vezes por saúde, educação, transporte, previdência e segurança, pagando por esses serviços no mercado, além de pagar impostos. A esmagadora maioria do povo recebe salários insuficientes para comer, morar e sustentar os filhos com dignidade. A julgar por dados da PNAD de 2015, se a população economicamente ativa fosse de 10 habitantes, 6 em cada 10 brasileiros receberiam renda mensal média de até um salário mínimo, 8 em cada 10 brasileiros viveriam com renda mensal média de até dois salários mínimos, o que é muito pouco para o nosso custo de vida¹. Isso quando as pessoas conseguem emprego! Em nosso país, mais de 9/10 da população economicamente ativa sequer chegam a ganhar o equivalente ao salário mínimo necessário, calculado com base nos preços de tudo que nossa Constituição determina².

Mas mesmo no 1/10 superior da renda nacional existe desigualdade abissal. Quando nós falamos em uma política econômica da maioria, nós falamos em uma política econômica que daria solução real a todos esses problemas e beneficiaria bem mais do que 99% do nosso povo.

A política econômica atual foi desenhada para beneficiar um grupo muito pequeno de banqueiros, latifundiários, grandes industriais, grandes comerciantes e sobretudo gente de fora do país. Ela também foi desenhada para beneficiar poucos multimilionários que vivem de renda, sem trabalhar e sem gerar empregos - o chamado “rentismo” sobre a dívida pública. Nós queremos inverter essa situação, com uma política econômica que combata privilégios, que fortaleça o mercado interno e o consumo popular, que force o investimento produtivo, gerando empregos, renda e arrecadação para financiar os serviços públicos e os investimentos necessários para o desenvolvimento do país.

Referências

1 OXFAM 2017: https://goo.gl/Cr7aRJ (pg. 23).

2 Idem e DIEESE