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Visualizando artigos de Agosto, 2016

Anticapitalismo ou barbárie

Em um mundo pautado pela ditadura do PIB, isto é, do crescimento econômico infinito, às vezes nos esquecemos de que há limites para o crescimento. E eles estão mais próximos do que a grande maioria das pessoas imagina.

De acordo com o Banco Mundial, se as projeções de crescimento demográfico se confirmarem, a Terra contará com 9,6 bilhões de humanos em 2050. Mantidos os atuais padrões de consumo e uso de recursos naturais, serão necessários quase 3 planetas Terra¹.

Como as viagens interplanetárias ainda são apenas tema de ficção científica, isso quer dizer que se nada mudar no rumo dos acontecimentos, os mais pobres pagarão essa pesada conta, apesar de serem as maiores vítimas desse modo de vida atual, onde as necessidades humanas são colocadas, no mínimo, em segundo plano, posto que em primeiro plano sempre está a obtenção de lucro.

FOME

Vivemos em um planeta com 1 bilhão de famintos², mas que desperdiça anualmente 33% dos alimentos produzidos (1,3 bilhão de toneladas)¹.

Um bilhão de pessoas representa cerca de 13% da população mundial (7,5 bilhões atualmente³), o que nos permite concluir que o que se produz atualmente é suficiente (com sobras) para acabar com o problema da fome no mundo, cujas maiores vítimas são os pobres africanos, do sudeste asiático, e latinoamericanos4 que, por sua vez, jogam fora 15% do alimento produzido¹.

O problema da fome, portanto, é de distribuição dos alimentos, e não de produção. E quem não tem como pagar por eles, não come, passando a depender de ações assistenciais. Assim funciona o capitalismo.

DESTRUIÇÃO DO MEIO AMBIENTE

Degradação e queda de fertilidade dos solos, uso insustentável da água e pesca predatória estão a reduzir a disponibilidade de recursos naturais, posto que o interesse dos capitalistas é a obtenção do lucro imediato, e não a satisfação das necessidades humanas dentro de padrões razoáveis de interação com o meio ambiente.

ENERGIA

O uso intensivo de recursos naturais na produção de energia ainda é bastante elevado (80% do total), posto que são alternativas mais baratas e/ou que contam com a atuação de lobbies poderosos para a manutenção dos negócios das grandes corporações (como é o caso do petróleo, que recebe subsídios de nações ricas da ordem de 14% do PIB desses países¹), atrasando o desenvolvimento de tecnologias alternativas com menor impacto ambiental negativo, em um mundo onde as viagens aéreas triplicarão e as de automóveis aumentarão em 40%¹.

LIXO

A geração de lixo é crescente, pois quanto maior a integração das pessoas no universo do consumo (ponto positivo), a geração de lixo aumenta, inclusive lixo tóxico, podendo afetar cerca de 200 milhões de pessoas em todo mundo.

TALVEZ EM 2050 A SITUAÇÃO SEJA OUTRA...

Em 1972, um livro intitulado “Limites do Crescimento” foi acusado de ser alarmista por muitos pesquisadores. No entanto, de acordo com estudos realizados na Universidade de Melbourne, as previsões do livro estão corretas, mais de 40 anos após sua publicação, e tais estudos afirmam que em breve os sinais do colapso global (e não regional) aparecerão5.

O Estudo original previa diversas situações que apontavam para o colapso global, como elevação das taxas de mortalidade a partir do final dessa década em função da precarização dos serviços básicos (saúde e educação). E a partir de 2020, prevê-se a queda da população mundial da ordem de meio bilhão de pessoas por década, com retorno das condições de vida similares ao início do Século XX.

UM OUTRO MUNDO É POSSÍVEL

A não ser que superemos o modo capitalista de produção, o destino da grande maioria da população - talvez 95% de toda a população mundial - será regredir para condições de vida cada vez mais precárias, com a inevitável morte em larga escala dos mais pobres.

Por isso, nós da POEMA defendemos mudanças radicais também na relação do homem com a natureza, através de uma sociedade que coloque a ciência e tecnologia a serviço das necessidades humanas, e não do lucro, cientes de que o impacto ambiental negativo causado pela civilização é inevitável, mas pode ser drasticamente reduzido com base em modelos não-capitalistas.

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